Eu sou o tipo de pessoa que planeja as coisas, se organiza, cria listas, gosta de ter o controle da situação. E eu já tinha idealizado meu parto. Eu trabalharia até a primeira semana de agosto, terminaria o quarto do Lucas, farias as lembrancinhas da maternidade, iria nas últimas consultas, arrumaria as malas e deixaria tudo pronto para a última semana de agosto, quando eu estaria com 38 semanas e a espera da hora do Lucas. Só que tudo saiu do meu controle e nada foi como eu previa.

Trabalhei até a 34ª semana, não fazia muito esforço mas me movimentava boa parte do dia. Na 35ª eu fui na médica, fiz uma ultra, recebi alguns amigos, comprei umas coisas que faltavam pro enxoval do Lucas e comecei as lembrancinhas da maternidade. Tudo como eu previa. Na quarta, dia 10/08, fiz a minha última ultra. Estava tudo bem com Lucas. Ele estava com 44cm e cerca de 2.5kg, placenta grau 2. “Esse menino tá de parabéns. Vai só engordar e crescer nas próximas semanas. Lucas tá bem e deve ir até a 40ª semana fácil”, disse o Dr. Julio. Eu dizia que sentia que ele ia nascer em agosto, que ele não chegaria até setembro, mas na minha cabeça era o fim de agosto, quando já estaria com 38 semanas. Mas não.

No dia 12 de agosto, sexta, foi a festa de aniversário do meu sogro. Passei o dia envolvida nos preparativos mas sem fazer esforço. À noite, já na festa, falei com algumas pessoas, ouvi “nossa, que barrigão! Não vai demorar pra nascer”. E não demorou. Por volta das 21h eu senti um “ploft” e algo escorrer da vagina. É uma sensação bem semelhante quando você está menstruada e sente que o sangue está saindo (entendedoras entenderão). Achei que estivesse sangrando e corri pro banheiro. Não vi sangramento só a calcinha estava molhada, mas não me liguei, fiz xixi e quando me levantei o líquido começou a escorrer. Fiquei realmente nervosa. MESMO. Entrei em contato com minha médica que pediu para ir na maternidade ser avaliada e avisá-la.

Pausa – Eu não tinha arrumado NADA de mala, seja minha ou do Lucas. Por sorte tinha começado a lavar as roupas dele então todas as roupinhas que tinha separado já estavam lavadas e passadas, só precisava por na mala. Eu já não tinha um sutiã ou camisola lavada. Minha mãe foi pra casa lavar essas peças e colocou pra secar atrás da geladeira.

Fui para a maternidade com muito medo, sabia que se fosse caso da bolsa ter estourado seria um parto prematuro. Na última ultra Lucas estava com mais de 2kg, o que não era ideal, mas minha preocupação maior era com o pulmão. Quando cheguei fui direto para a emergência e após um exame de Toque a médica plantonista confirmou que a bolsa estourou. Meu filho ia nascer. Ligaram para a minha médica e me passaram o telefone. Ela me falou que estava fora do Rio por conta do Dia dos Pais, que não conseguiria voltar a tempo, pra eu ficar tranquila que estaria em boas mãos, que no domingo iria vir me ver e depois me dar alta.

Enquanto esperava na recepção pra ser internada comecei a sentir umas dores no quadril. Lembro que minha irmã estava incomodada porque eu me levantava e andava toda hora, e eu disse a ela que tava sentindo umas dores mas achava que era algum desconforto por conta da posição. Eram as contrações começando.

Eu queria o parto normal. Tanto por mim, que nunca tinha passado por uma cirurgia na vida e morria de medo de anestesia, quanto pelo Lucas, sabia que seria melhor pra ele pois forçaria o pulmão a funcionar bem. Fui medicada e aí começou “de verdade”. As contrações chegaram mesmo. Eu não sou fraca pra dor, consigo suportar bem, mas essas doíam MUITO. Estavam num ritmo de 5 em 5 minutos. Eu vomitei a noite toda, fiz xixi e cocô a noite toda – a cada contração eu ficava doida querendo ir no banheiro. Acho que nunca fiz tanto cocô na vida! hahaha As vezes doía tanto que eu vomitava. Não é fácil. Toda minha admiração para mulheres que chegam na Partolândia e conseguem parir seus filhos! <3

Eu estava muito cansada, com fome e quando vi já era 6h da manhã. Minha mãe chegou com minha irmã e me encontrou tipo um bicho. Estava louca, mesmo. Quando a médica veio me ver, na minha cabeça eu estava com 7cm ou 8cm de dilatação, pronta pra ter o neném, só que eu só tinha dilatado 2cm. Ela me perguntou o que eu queria e insisti no parto normal, mas não durou muito a minha decisão. Por volta das 7h30 eu comecei a gritar por anestesia, não tinha dilatado mais, as contrações tinham parado e os batimentos do Lucas estavam diminuindo. Fui pra sala de cirurgia para uma cesárea. Estava sozinha e com muito medo. Até aquele momento nunca tinha sentido tanto medo na vida. Mas a equipe que fez o meu parto foi muito querida, lembro de uma enfermeira que me abraçou até que eu me acalmasse, me explicou como seria, conversou comigo, queria saber o nome dela para agradecer.

A tão temida anestesia nem foi tudo isso. Eu nem senti. Começou a cirurgia e eu soube porque senti o cheiro de queimado do bisturi. Logo assim meu marido chegou e ficou ali comigo. Eu só conseguia pedir a Deus pra cuidar do Lucas.

A partir daqui as coisas não são claras na minha cabeça. Lembro de chamarem o anestesista e ele reaplicar algo em mim. Nisso ele me falou que iam tirar o Lucas e eu ia sentir uma pressão, e senti. Só que a pressão acabou e eu não tinha ouvido chorinho de neném, não sabia dele. Dudu já não estava do meu lado e eu fiquei perguntando se meu filho tinha nascido. O anestesista disse que sim e eu apaguei. Quando acordei já estava indo para o quarto. Não sabia do Lucas, não tinha visto ele.

Lucas foi para a UTI e ficou lá por 12 longos dias. Dudu foi muito cuidadoso ao me dar a notícia. Como eu dormi logo após o parto, ele foi me dando a notícia aos poucos quando eu acordava e perguntava por ele.  Primeiro me falaram que ele estava bem e era cabeludo, depois que foi pra UTI pra observação, e por último que estava internado por desconforto respiratório e que estava entubado.

Pensar nisso ainda me dói e escrevo com lágrimas. Não tive um parto lindo, minha amiga não foi fotografar o parto. Não teve bebê mamando na sala de parto, não teve nem chorinho de bebê pra escutar. Mas foi assim que Lucas veio ao mundo. Na hora dele. Eu não tive infecção, pressão alta ou qualquer problema de justificasse o rompimento da bolsa. Era a hora do Lucas, só que ele não estava pronto ainda. Por muito tempo eu me culpei, pensando no que poderia ter feito pra evitar o parto prematuro, na minha cabeça a culpa era minha. Foi muita conversa da minha mãe e da psicóloga da maternidade pra me convencer do contrário.

Lucas nasceu na Maternidade São Francisco em Niterói. Meu parto foi realizado pela equipe de emergência, Lucas ficou internado na UTI e eu retornei ao hospital todos os dias. Não tive resguardo. “Mãe de UTI não tem resguardo”, era a frase que mais escutava. Agradeço muito a Maternidade São Francisco pelo atendimento do início ao fim. Ela nunca foi minha opção de lugar mas não poderia ter tido o Lucas num lugar melhor. Da equipe de limpeza aos médicos da UTI, passando por todas as técnicas e enfermeiras, o rapaz da recepção e a equipe do lactário, meu muito obrigada pela excelência no cuidado comigo e meu filho.

(Desculpem o post grande)

Beijos,