Prestes a completar 6 meses eu vivi um fim de semana caótico com Lucas. Eduardo estava viajando e ficamos na casa dos meus pais. A alimentação dele ainda era exclusiva no leite materno e eu achei que tudo ok, afinal, a mamadeira dele (no caso, eu) estava lá. Mas não foi bem assim.

A primeira mamada não foi legal, ele custou a pegar o seio e mesmo assim contrariado. Achei estranho mas insisti. A segunda seguiu o mesmo ritmo e a terceira não aconteceu. Lucas não queria mamar, só chorava. Estava com fome e mesmo assim não queria o seio. Eu, nervosa, não sabia o que fazer. Acabei dando meu leite ordenhado na mamadeira e foi assim por todo sábado e parte do domingo. Estava triste, chateada, nervosa. E pra completar, no fim do dia, chegou a notícia que meu marido tinha sido assaltado. Meu nervosismo foi a mil, não produzi leite e Lucas mamou leite artificial.

Chorei a madrugada inteira. Me sentia mal pelo desmame precoce do meu pequeno. Me culpei porque achei que ele preferia a mamadeira, já que estava tomando meu leite nele no último mês porque voltei ao trabalho. Chorei minhas pitangas num grupo de amigas que me consolaram, contaram suas histórias até que uma me falou sobre a greve de amamentação. Eu não conhecia isso e fui pesquisar.

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Descobri que são bem comuns e acontecem, no geral, por conta de eventos traumáticos como estresse em casa, mudanças de ambiente e até quando a mãe dá um grito quando o bebê morde o peito, entre outros. Me identifiquei demais. Lucas começou a ter uma confusão de bico e estava mordendo muito meus seios, gritei algumas vezes, confesso.

Tentaram me convencer que eu consegui completar os 6 meses de amamentação e que era ok deixá-lo só na mamadeira e leite artificial, mas eu não aceitei isso. Eu queria continuar amamentando porque é o melhor pro Lucas e eu sempre vou dar o meu melhor pra ele, mas também porque, admito, eu não estava preparada para o desmame.

A greve durou alguns dias, insisti com a amamentação, precisei de muita paciência porque ele chorou muito. Pra complicar, Lucas passa os dias com as avós e na época mamava na mamadeira, então eu tinha poucas oportunidades pra reverter essa situação.

Segui as dicas do Grupo Virtual de Amamentação, mudei as posições para amamentar e fiquei com ele no peito mas sem oferecer a mama. Cheguei a andar com o leite artificial por precaução mas nunca mais utilizamos. Lucas se apegou ao peito novamente, mamãe ficou feliz e estamos a caminho do oitavo mês de amamentação.

A introdução alimentar fluiu bem e ele praticamente só come comida durante o dia, leite está quase só no peito. E eu nem posso sair depois do trabalho porque quando chego em casa mal dá tempo de tomar um banho, Lucas está desesperado pelo peito e todo aconchego do colo da mamãe.

Eu não sabia que existia greve de amamentação e se não me informasse meu filho já estaria desmamado hoje. Se isso acontecer com você, insista. Faça seu melhor como mãe.

beijos,
Lu

Estou prestes a completar 6 meses de amamentação exclusiva do Lucas. Minha felicidade é enorme de conseguir chegar até aqui porque o caminho não foi fácil e muitas vezes pensei em desistir. Eu tinha lido muito sobre o assunto e achava que estava preparada para esse momento mas a verdade é que nunca passou pela minha cabeça que eu sentiria medo de dar meio seio para o Lucas porque sabia que ele ia me machucar. Meu bico não rachou, não sangrei mas senti dor até quase o terceiro mês. Não doeu todos os dias, a pega dele estava correta mas ele mamava com tanta força que me machucava muito. Nunca fiz uso de bico de silicone – mas por total falta de oportunidade, não sou contra – e virei amiga da pomada Lansinoh, usei tanto que meus sutiãs mancharam com ela, rs.

Mas vamos ao início.

Como já contei aqui, Lucas nasceu e foi direto para a UTI Neonatal. Seu primeiro contato com o leite materno foi através de sonda, na sequência pegou primeiro a chuquinha e só mamou nos meios seios com 10 dias de vida. Eu sempre sonhei com esse momento mas não imaginei que seria tão emocionante. O início da amamentação significou pra mim não apenas aquele elo incrível que ela proporciona entre mãe e filho, mas também a última etapa para ele ter alta. Tivemos acompanhamento da fonoaudióloga da UTI que me ensinou tudo sobre pega e eu tinha pressa e ansiedade para que ele acertasse porque, como falei, a alta dele dependia desse passo. Dois dias depois Lucas foi para a casa conosco, para a glória de Deus.

Em casa eu achei que tudo seria tranquilo só que ele foi “mal acostumado” na UTI. O que acontecia: quando eu não estava lá e ele mamava nos seios, o leite era oferecido na chuquinha e se ele não mamasse toda a quantidade estabelecida pela equipe médica, o restante ele tomava via sonda. Ou seja, ele não tinha o trabalho de sugar, muitas das vezes. E mamar dá um trabalhinho. Eu tava com um bebê com fome e com preguiça de pegar no peito. Foi desesperador. Cheguei a ordenhar e oferecer o meu leite na chuquinha, naquele momento minha preocupação era que ele se alimentasse para não perder mais peso e pensava que OK dar a mamadeira já que o leite era meu. E assim foi por dois dias. Todas as vezes que ele não pegava no meu peito (quase sempre) ele tomava na chuquinha.

Mas pera lá né? Eu só estava piorando a situação porque é claro que ele tinha se tocado que não precisava mamar os seios porque o alimento viria de qualquer jeito. Foi aí que tomei controle da situação. Eu tinha leite, muito leite e um bebê que precisava mamar. Por que usar a mamadeira? Passei a deixar ele chorar mesmo na hora das mamadas. Era um risco mas podia dar certo. E deu. Lucas passou a mamar diretamente nos seios. Começou a mamar só o esquerdo, rejeitava o direito. Até hoje, na verdade, ele prefere o seio esquerdo. E foi um processo longo, que levou dias. Hoje ele é louco no peitinho dele, mas eu poderia ter desistido lá trás e não chegaríamos aqui.

A mamadeira é mais fácil pra mim e pra ele. Ele que não tem tanto trabalho de puxar e se alimenta rápido e pra mim porque – sendo sincera, não me machuca. Amamentar dói sim. Lucas tem uma força danada nessa gengiva que me deixa cheia de medo pra época que os dentes começarem a nascer. Tudo são fases né? No início eu achava que o seio cheio, bem duro, era ótimo pra ele mamar. Mas era complicado. Quanto mais duro estava o seio, mas dificuldade ele tinha pra abocanhar tudo e ficava só no biquinho e me machucava. Custei a entender que ele precisava da mama bem macia. E quando me toquei disso, passei a ordenhar sempre que os seios estavam cheios. Esse leite eu congelava e Lucas tomava sempre que eu precisava sair por algum motivo. Tomava na mamadeira, sim, e ainda bem que não rolou confusão de bicos por aqui.

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Hoje a amamentação não está mais fácil mas sim leve, natural. Lucas segue machucando meu peito, mas não pra mamar. Acontece que ele deve pensar que meu bico é mordedor porque quer aliviar a coceira da gengiva me dando “gengivadas” que me fazem chorar. Pode ser também que ele pense que é um elástico porque adora puxar pra lá e pra cá. E é bem dolorido.

Sabe que quando voltei a trabalhar não imaginei que chegaria aqui? Eu consegui! Não sou mais mãe do que muitas que dão mamadeira e complemento e juro por Deus que nem as julgo – cada uma sabe seu jeito de maternar e é o melhor para os filhos. Agora minha meta é amamentar Lucas até quando ele quiser, e espero que ele queira por muito tempo.

Voltei ao trabalho no dia em que Lucas completou 5 meses. Como meu desejo é que ele fique só no leite materno até o sexto mês, meu plano era ordenhar o leite e congelar para ele continuar mamando na minha ausência. Não sabia como seria e se daria certo. Estava MUITO insegura principalmente porque até a pediatra me orientou a começar a introdução alimentar e escutei de todos os lados “ahh, começa logo as frutinhas, não vai fazer mal”. Não, não vai. Eu sei que não. Mas o melhor pra ele seria continuar só no leite materno, eu insisti e deu certo.

Pesquisei muito sobre o assunto e conversei com a Julia, do blog Mais Maternagem, já que ela fez o mesmo para o primeiro filho, o Gabriel. A Ju me passou uma segurança enorme e continuei com meu plano. Lucas já mamava meu leite na mamadeira quando eu precisava sair ou descansar um pouco, então sabia que não ia rolar dele rejeitar o bico. Só que meu medo era dele não pegar mais o meu. Graças a Deus não aconteceu, porque quando estou em casa ele mama muito bem no peito.

Como eu fiz:
Eu tenho uma bomba manual de tirar leite (da marca Gtech), que uso desde que Lucas nasceu. Comecei a tirar leite para estocar 15 dias antes do meu retorno ao trabalho. Conseguia tirar por dia 2 vidros de 150ml, as vezes um pouco menos. O cálculo para saber a quantidade que o bebê vai tomar é de 25ml por peso. Depois da ordenha, colocava o leite em potes de vidro, etiquetava (data, hora e quantidade) e armazenava no congelador. A duração é de 15 dias.
Calculei que Lucas mamaria 4 mamadeiras na minha ausência (9h/12h/15h/18h), então mandava pra minha sogra/mãe leite para 6 mamadeiras, caso ele estivesse com muita fome ou passando por um pico de crescimento. Até hoje o máximo que ele consumiu foi 5 mamadeiras.

Comprei uma bolsa térmica e gelo em gel (tudo na Casa&Vídeo). Ia pro trabalho com uma bolsa a mais só para levar tudo necessário para armazenar e tirar o leite. O gelo em gel coloco no congelador assim que chego no trabalho e todo leite que eu tiro vai direto pra geladeira. Só congelo quando chego em casa. O leite só pode ser descongelado uma vez, caso ele descongelasse no caminho para casa, perderia tudo. Então antes de sair do trabalho eu coloco o gelo em gel (já congelado) dentro da bolsa térmica e os potinhos de leite. Chega em casa tudo geladinho.

A ordenha:
Eu estava tirando tudo com uma bomba manual, mas levava muito tempo e já tava ficando com a mão cansada. Aí me recomendaram alugar uma bomba elétrica, escolhi o modelo Swing da Medela e aluguei na loja Cantinho da Mamãe. Desde então minha produção dobrou. Se na manual eu tirava 120/150 dos dois seios, com a elétrica eu tiro a mesma quantidade de cada seio. A minha bombinha manual ainda me serve perfeitamente, mas pra essa fase da minha vida, alugar a elétrica foi a melhor coisa que eu fiz. Como é um investimento alto pra algo temporário, o aluguel é a melhor solução. Recomendo!
Acho que escrevi demais já, se alguém tiver alguma dúvida pode me perguntar. E se eu lembrar de mais alguma coisa volto aqui.
O post fica como incentivo para você não desistir de amamentar seu filho com a volta ao trabalho. Pode dar um trabalho extra e cansar sim, mas vale o esforço. Pensa nisso!