Estou a 2 semanas de voltar a trabalhar e com uma sensação muito estranha dentro de mim. Se você me perguntar se quero largar tudo e ficar em casa cuidando de Lucas minha resposta vai ser um sonoro “não”, e nem vou titubear. Esses quase 5 meses em casa me ensinaram muitas coisas, entre elas que eu não nasci para ser dona de casa. Eu gosto mesmo é de sair e trabalhar fora.

Senti muita falta do meu trabalho, equipe, dos colegas e de sair de casa. No início você não sente tanto por conta da agitação que é cuidar do bebê, dar de mamar, trocar fralda, muuuuuito cansaço. Mas depois dos 2 meses que tudo “acalma” a coisa muda. Eu me vi sozinha com um serumaninho que não fala, ainda não interage muito e depende de tudo de você. Às vezes eu ligava pra alguém só pra conversar à toa, ouvir outra pessoa. Nem grupos agitados do WhatsApp amenizaram a solidão que eu sentia. Até que chegou o quarto e último mês com o Lucas, o mais gostoso até agora. Ele interage taaaaaaanto, o dia todo. Ri, brinca, conversa na linguagem típica de bebês e, juro por Deus, eu passaria os meus dias fazendo “ahhhhhhh” pra ele. Aí que tudo mudou dentro de mim. Ainda não tenho talento para dona de casa, preciso trabalhar porque meu salário impacta na economia da minha família MAS quero ficar com o Lucas. Eu disse que era estranho, mas também é incoerente e louco.

Acho que o que passa na minha cabeça é o mesmo que passa na de muitas mães: vou perder tantas fases gostosas, tantas conquistas. (Aí eu paro pra secar meu rosto porque só de pensar eu choro). Lucas vai ficar com as avós. Mamãe e a minha sogra vão se dividir nesta tarefa e isso dá um quentinho no coração. Meu filho vai ficar num ambiente que já lhe é familiar, com pessoas que ele conhece bem e que o amam tanto quanto eu.

Na minha cabeça o ideal seria conseguir fazer os seis meses de amamentação exclusiva, começar a introdução dos alimentos e a partir daí eu me sentiria mais segura pra voltar ao trabalho. Só que não funciona assim. Volto 1 dia antes do Luquinhas completar cinco meses e terei um mês inteiro pela frente de ordenha para deixar muito leitinho congelado para ele tomar enquanto estiver longe da mamãe aqui.

Sabe, mamãe um dia esteve nesta mesma posição. Eu e Tati ficamos com nossa avó materna. Eu senti muita falta da mamãe em vários momentos e isso marcou muito a minha infância. Marcou tanto que eu dizia que não faria o mesmo. Ô vida! Cuspi tanto que caiu lindamente na minha testa, rs.

Hoje eu consigo analisar que, de fato, tínhamos mais tempo com vovó, mas o pouco que tínhamos com mamãe – e papai – era um tempo de qualidade. Tenho memórias ótimas desses momentos. Me serviu de lição para repetir com o Lucas. Quando eu chegar  em casa, meu tempo será 100% da minha família.

Espero que seja tranquilo pra mim e pra ele. Mais pra mim do que pra ele, rs. Conto pra vocês nos próximos dias.

beijos,

Lu